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O Varejo Mudou

Ao longo da história, a indústria utiliza o varejo para distribuir seus produtos aos consumidores. Seja utilizando canais compartilhados ou montando rede de lojas de marca própria, os produtos manufaturados chegam até nós por um intermediário (principalmente em mercados B2C e deixando de lado os canais de vendas diretas).

Recentemente ganhamos um aliado importante para nossas decisões de compra, a informação. A chegada da internet ao nosso bolso com a popularização dos smartphones, nos deu um poder que não possuíamos até então. Passamos a utilizar a informação disponível na ponta de nossos dedos com inteligência e causamos uma mudança significativa nas relações estabelecidas até então. Hoje, para que os varejistas possam atrair nossa atenção, somente uma fachada atrativa já não é suficiente. Conseguimos comparar preços e qualidade do atendimento num piscar de olhos e mudamos nossas decisões de compra com esta mesma facilidade ao consultar a reputação de um fabricante ou varejista em nossas redes sociais. No entanto, da mesma forma que ganhamos facilidades para fazer estas comparações, perdemos algo de muito valioso com a chegada de tanta informação às nossas mãos. O tempo está cada vez mais curto para a grande maioria dos consumidores. Por esse motivo é tão importante para o comércio desenvolver uma cultura de atendimento de excelência, tornando o processo de aquisição de bens uma experiência positiva conseguindo surpreender o consumidor no processo.

Mas vamos refletir…

Hoje não queremos mais somente produtos, estamos procurando soluções para que possamos colocar nossa atenção nas tarefas que consideramos essenciais e que nos trazem maior satisfação. Convívio com a família e momentos de lazer, passaram a ter um significado muito maior e neste contexto deslocamos nossas atividades de compra para aqueles varejistas que oferecem, juntamente com os produtos, serviços associados alinhados com esta nossa expectativa.

O e-commerce chegou e preencheu também a necessidade de ganharmos tempo. Podemos adquirir produtos no conforto de nossas casas a qualquer hora e receber nossa encomenda na data estabelecida no momento da compra. Com a evolução das plataformas virtuais e o desenvolvimento das estruturas de logística e distribuição, estamos assistindo uma transformação radical nos hábitos de consumo. Como consequência disso, empresas que eram consideradas referencias nos seus segmentos estão encerrando suas atividades e outras que até a pouco tempo não existiam atingem um share de quase 50% do e-commerce nos EUA. Estamos falando da Toys R’Us que encerrou recentemente as atividades em lojas físicas e da Amazon que atinge hoje uma participação de quase 50% do varejo online nos E.U.A..

Os serviços que até então estavam sendo incorporados pelos varejistas para agregar valor aos produtos oferecidos, estão se tornando os grandes propulsores da venda de produtos. Conceitos como Amazon Prime que através de uma assinatura anual nos dá direito a um tratamento diferenciado já estão nos apontando uma tendência. Outro vetor muito forte de mudança de paradigmas na sociedade e que impacta diretamente nas atividades do varejo é pagar para utilizar ao invés de ter direito à propriedade indefinidamente. A sociedade, para muitos produtos, está reavaliando a posse, preferindo compartilhar a utilização e pagar por isso somente nestes momentos.

Realmente é um cenário de muitas transformações, mas os varejistas tem uma vantagem estratégica fundamental. Nós estamos muito próximos deles. Interagimos diariamente com suas plataformas de comercialização de produtos e cabe a eles capturar nossos sentimentos e anseios e propor novas maneiras de solução para nossos problemas.

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